Violência vicária: quando os filhos viram instrumento contra a mãe
Algumas violências não deixam marca no corpo da mulher. O agressor não encosta nela. Ele atinge quem ela mais ama: os filhos.
Isso tem nome. Chama-se violência vicária, e desde abril de 2026 ela está escrita na lei brasileira.
Como ela aparece
"Vicário" quer dizer "no lugar de outro". A agressão é dirigida aos filhos, ou a alguém próximo da mulher, para fazê-la sofrer, puni-la ou controlá-la. Alguns exemplos:
- ameaçar "sumir" com as crianças ou tirar a guarda se ela não fizer o que ele quer;
- atrasar de propósito a devolução do filho depois da visita;
- usar a convivência para vigiar, humilhar ou intimidar a mãe;
- cortar a pensão ou o plano de saúde dos filhos como castigo;
- no extremo, matar o filho para destruir a mãe.
A criança é usada como meio, e também é vítima.
O que diz a lei
A Lei 15.384/2026 incluiu a violência vicária na Lei Maria da Penha como forma de violência doméstica contra a mulher e criou o crime de vicaricídio, com pena de 20 a 40 anos, considerado hediondo.
Na guarda, a regra é a guarda compartilhada, mas ela não se aplica quando há probabilidade de risco de violência doméstica ou familiar (Código Civil, art. 1.584, § 2º). E a Lei Maria da Penha permite que o juiz restrinja ou suspenda as visitas como medida protetiva. Cada caso é analisado pelo juiz com as provas que existirem, e o centro da decisão é a proteção das crianças.
Quando uma mãe relata violência, essa denúncia precisa ser apurada com seriedade antes de qualquer conclusão sobre alienação parental.
Onde pedir ajuda
- 190: em caso de perigo imediato.
- 180 (Central de Atendimento à Mulher): gratuito, 24 horas. Também pelo WhatsApp (61) 9610-0180.
- Delegacia da Mulher ou qualquer delegacia, para registrar a ocorrência.
- Medida protetiva: a própria mulher pode pedir, sem advogado e sem boletim de ocorrência (Lei Maria da Penha, art. 19).
- Defensoria Pública: atendimento gratuito para quem não pode pagar advogado.
Você não está sozinha, e proteger seus filhos começa por proteger você.
Dra. Juliana Suziele, advogada de Família e Sucessões em Goiânia. OAB/GO 32.814.
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